Decisão sobre a Estrada Loures-Torres Vedras
A Escolha do Traçado por Pinheiro de Loures (1861)
Em 1861, no âmbito da escolha do traçado da estrada entre Loures e Torres Vedras — por Cabeça de Montachique ou por Pinheiro de Loures —, a Câmara Municipal dos Olivais dirigiu-se ao Rei, manifestando a sua preferência pela segunda opção, com passagem por Lousa, Venda do Pinheiro, Malveira, Vale da Guarda, Vermoeira, Freixofeira e Turcifal.
A posição assentava no entendimento de que a relevância de uma via se media pelo número de utilizadores e pelo volume de bens que nela circulavam. A alternativa por Cabeça de Montachique serviria sobretudo povoações de menor expressão — Póvoa da Galega, Enxara, São Sebastião e Casal das Barbas —, ao passo que o traçado pelo Pinheiro de Loures acompanhava uma sequência de lugares mais populosos e ativos. Destacava-se, em particular, a Malveira, cujo mercado semanal de gado gerava um fluxo comercial e de mobilidade equivalente ou superior ao conjunto das restantes localidades.
Reconhecendo que ambas as soluções garantiam a ligação final a Torres Vedras, a Câmara dos Olivais sustentava que a decisão não deveria ficar condicionada por diferenças orçamentais marginais — de um a dois contos de réis —, mas sim considerar benefícios duradouros para o comércio, para a segurança e a polícia de estrada e para o conforto dos viajantes que a qualquer momento poderiam necessitar de alojamento para descanso ou pernoita.
Sem pretender substituir a avaliação técnica, a Câmara ancorava esta preferência em critérios de conveniência económica e administrativa, aguardando os relatórios dos engenheiros responsáveis e o parecer do Conselho de Obras Públicas e do Governo. Face ao exposto, solicitava-se que o Governo fixasse, em definitivo, o traçado por Pinheiro de Loures – Lousa – Venda do Pinheiro – Malveira – Vale da Guarda – Vermoeira – Freixofeira – Turcifal.

CML – AML– Subfundo da Administração do Concelho dos Olivais, 1861