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Arquivo Municipal

Documentos com história



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Arquivo Municipal de Loures | 2022-03-10

 Escultura e memória

Elaborada com os mais variados materiais, da simples pedra ao metal mais precioso, com maior ou menor apelo à realidade, a escultura capta a imediata atenção. Grupos escultóricos são concebidos para comemorar acontecimentos e pessoas, povoam jardins e outros lugares públicos, muitas vezes nem damos pela sua presença, já esquecemos o que lembram ou mesmo quem os idealizou.

No edifício e em redor dos Paços do Concelho de Loures a escultura está presente, embora muito ausente da memória. Não estavam no desenho inicial de Tiago da Silva Santos (Santiago dos Velhos, 2/10/1874 – Póvoa de Santa Iria, 29/9/1972) o brasão do concelho aprovado em 1911 e a figura feminina por cima da varanda da sala das sessões, certamente para simbolizar a República, podendo ser possível que a sua inclusão no frontão e na fachada dos Paços do Concelho, em 1916, tenha tido influência de Rosendo Carvalheira (Arcos de Valdevez, 8/7/1861 - Sintra, 21/1/1919). Mais tarde, em 1962, o frontão foi alterado por uma obra do escultor Domingos Soares Branco (Lisboa, 20/12/1925 – 4/12/2013), que executou o grupo escultórico «Família e Trabalho» a enquadrar o brasão do concelho que substituiu o de 1911.

No largo fronteiro aos Paços do Concelho, em 1929, foi inaugurado o Monumento aos Mortos da Grande Guerra, uma das primeiras obras executadas em Portugal com recurso ao cimento armado, pelo construtor civil Fernando Soares, desconhecendo-se quem foi o escultor e a fonte de inspiração. Em 1962, durante as obras dos Paços do Concelho, houve intenção de substituir todo o monumento com um canhão do mesmo modelo fornecido pelo Exército e os soldados esculpidos em pedra. Também em cimento, colocado no jardim lateral aos Paços do Concelho, é o busto de autor desconhecido do médico António Carvalho de Figueiredo (Loures, 27/4/1853 - 14/3/1917), inaugurado em 1942 conjuntamente com o de Félix de Avelar Brotero (Santo Antão do Tojal, 25/11/1744 - Belém, 4/8/1828), transferido em data desconhecida para o jardim de Santo Antão do Tojal.



Câmara Municipal de Loures, Licenciamento de obras, Processo nº 3910 (1953), f. 16
Alçado principal dos Paços do Concelho (pormenor da fachada com desenho do frontão colocado em 1916, observando-se a posição do brasão e a folhagem de acanto)
 
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