Documentos com História | Fevereiro de 2019
Uma Epidemia de Sarampo no Zambujal (1886)
O século XIX caracterizou-se, a nível demográfico, por um crescimento da população europeia. Assistiu-se a um declínio da mortalidade e ao aumento da esperança de vida. Um progresso não linear, heterogéneo e diferenciado consoante a área geográfica e o estrato social. As taxas de mortalidade permaneceram elevadas e as epidemias continuaram a atingir uma parte considerável da população.
Ao longo dos tempos, o sarampo, uma doença altamente contagiosa e fatal para milhões, afetou quase todas as pessoas a dada altura das suas vidas. Um documento de novembro de 1886, remetido pelo prior Luiz Marques de Souza, da paróquia de São Julião do Tojal, ao administrador do concelho dos Olivais relata precisamente um desses surtos: “Grassa nesta freguesia especialmente no lugar do Zambujal, uma epidemia de sarampo, tendo falecido já algumas crianças e achando-se acometidas de 30 a 40”.
Na exposição sobressaem os receios de quem viveu de perto um flagelo agravado pela partida para Alhandra do facultativo local, e a aflição dos pais e familiares das vítimas, a maioria deles sem recursos para pagar os exorbitantes valores pedidos pelos médicos “fora da sua área” de residência. Uma situação trágica que requeria por parte das instituições, da câmara, a adoção das “urgentes providências” para debelar a epidemia.
Se o apelo teve eco ou se caiu no descaso é uma incógnita. A partir de 1963, com o advento da vacina, o número de casos caiu abruptamente e a doença foi considerada erradicada em muitos países. Atualmente cerca de 85% das crianças, a nível mundial, são vacinadas, diminuindo em 75% as mortes por sarampo. Este progresso não se tem vindo, porém, a consolidar nas regiões mais pobres, onde ainda se regista um número indesejado de indivíduos diagnosticados com uma doença que nem sempre tem o melhor dos desfechos.

Poderá ainda visualizar o documento na página do Facebook "Arquivo Municipal de Loures".