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Arquivo Municipal de Loures | 2025-12-17

A Ocupação de Timor Leste Durante a Segunda Guerra Mundial


Timor foi a único território sob administração portuguesa a ser invadido durante a Segunda Guerra Mundial. Na sequência do ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro de 1941, e da subsequente expansão do conflito para a região do Pacífico, os governos da Holanda e da Austrália manifestaram apreensão relativamente à vulnerabilidade estratégica da colónia portuguesa. Temia-se que uma eventual ocupação japonesa do território implicasse uma ameaça direta à segurança da Austrália. Nesse cenário, ambos os países exerceram pressão sobre o governo britânico com o objetivo de obter a anuência de Portugal para uma ocupação preventiva da metade leste da ilha.

António de Oliveira Salazar, chefe do governo português, recusou a proposta, alegando que tal medida comprometeria a neutralidade de Portugal. Declarou que só aceitaria apoio militar estrangeiro em caso de agressão efetiva, nunca de forma preventiva. Apesar dessa oposição, as forças australianas e neerlandesas desembarcaram na colónia portuguesa, instalando-se sem resistência e sem causar vítimas.

A nota agora divulgada refere-se precisamente ao discurso apresentado pelo Presidente do Conselho na Assembleia Nacional a 19 de dezembro de 1941, poucos dias após a ocupação. Na sessão de Câmara realizada a 23 de dezembro, destacava-se essa comunicação, que expressava a convicção de que apesar do momento difícil que o mundo atravessava, seria possível encontrar uma forma honrosa para preservar intacto o património nacional.

Perante a ocupação, o governo português apresentou um protesto junto do governo britânico e ordenou a mobilização de tropas a partir de Moçambique, com o objetivo de reforçar a defesa do território e garantir a retirada das tropas aliadas. No entanto, antes da chegada dessas tropas, o Japão invadiu Timor a 20 de fevereiro de 1942, impondo um regime de terror sobre os timorenses e os portugueses, tornando inútil a presença das forças australiano-neerlandesas.

No final de 1942 e início de 1943, as forças australianas retiraram-se da ilha, acompanhadas por alguns civis portugueses. Timor permaneceu sob ocupação japonesa até ao término da guerra.  A 5 de setembro de 1945, depois do lançamento das bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki e da rendição do Japão, o comandante japonês entregou armas ao governador português em Díli. No fim desse mês, chegou à cidade um contingente militar português que reassumiu a controlo do território e iniciou a reconstrução de edifícios e infraestruturas gravemente danificados pela ocupação.


 
CML – AML – Série Correspondência Recebida, 1941
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